segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Sete.

Pelo trajeto ridículo do terminal rodoviário até minha casa, passo por duas singelas necrópoles. Todas as vezes penso na quantidade de túmulos dali, em quantas famílias sofreram, quantos filhos que deixaram seus pais ali, quantos problemas mal resolvidos… Sempre penso nos outros, em suas histórias. Não hoje.

Hoje me dei ao luxo de ser egoísta, de pensar em mim, no que sinto, na minha história, nos meus problemas mal resolvidos. Me dei ao luxo de sentir falta, imaginar situações. Criar um mundo onde tudo seria diferente: eu o teria comigo, e serias o melhor homem do mundo. Aquele por quem eu choraria, com razão, e não pelos bobos motivos pelos quais choro hoje.

Poderia acabar-me em lágrimas dizendo que sinto sua falta. Mas nem isso permitiu-me fazer, não é? Preciso sempre dizer que choro por sentir falta daquilo que você não foi. Que choro pela impossibilidade que você deixou. Pelo vazio. Pela incerteza. Por idiotice. Não precisaria dizer que deverias ser o homem mais importante da minha vida. Você simplesmente o seria. Talvez, dessa forma, tudo fosse mais fácil hoje.

Você fez as coisas de tal forma que… É impossível não sentir falta, é impossível não ter raiva, é impossível não ter dúvidas. E eu prefiro acreditar na minha versão da históriatoda p’ra conseguir ser feliz durante os 363 dias que me restam.

Apesar de tudo, foi, e sempre será, o homem mais importante do mundo p’ra mim. Não importa o quão filho-da-puta tenhas sido. Sempre será o motivo do meu choro neste dia. E sempre o amarei, mesmo que seja por um certo tanto de obrigação.

09/12/1949 - 18/10/2004. (F)

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