Pelo trajeto ridículo do terminal rodoviário até minha casa, passo por duas singelas necrópoles. Todas as vezes penso na quantidade de túmulos dali, em quantas famílias sofreram, quantos filhos que deixaram seus pais ali, quantos problemas mal resolvidos… Sempre penso nos outros, em suas histórias. Não hoje.
Hoje me dei ao luxo de ser egoísta, de pensar em mim, no que sinto, na minha história, nos meus problemas mal resolvidos. Me dei ao luxo de sentir falta, imaginar situações. Criar um mundo onde tudo seria diferente: eu o teria comigo, e serias o melhor homem do mundo. Aquele por quem eu choraria, com razão, e não pelos bobos motivos pelos quais choro hoje.
Poderia acabar-me em lágrimas dizendo que sinto sua falta. Mas nem isso permitiu-me fazer, não é? Preciso sempre dizer que choro por sentir falta daquilo que você não foi. Que choro pela impossibilidade que você deixou. Pelo vazio. Pela incerteza. Por idiotice. Não precisaria dizer que deverias ser o homem mais importante da minha vida. Você simplesmente o seria. Talvez, dessa forma, tudo fosse mais fácil hoje.
Você fez as coisas de tal forma que… É impossível não sentir falta, é impossível não ter raiva, é impossível não ter dúvidas. E eu prefiro acreditar na minha versão da históriatoda p’ra conseguir ser feliz durante os 363 dias que me restam.
Apesar de tudo, foi, e sempre será, o homem mais importante do mundo p’ra mim. Não importa o quão filho-da-puta tenhas sido. Sempre será o motivo do meu choro neste dia. E sempre o amarei, mesmo que seja por um certo tanto de obrigação.
09/12/1949 - 18/10/2004. (F)
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
terça-feira, 5 de julho de 2011
Ela mesma bastava.
Era ela o milagre da mãe, o mimo da família. Crescera em meio do amor de sua família deveras deficiente, em foco de câmeras, cercada de pequenas frustrações. Nunca fez questão de amigos, popularidade. À ela, ela mesma bastava. Não entendia a necessidade de atenção que os outros tinham. Nunca foi fã de algo que estivesse na moda: preferia aquilo que ninguém conhecia, sem precisar dividir com ninguém. Odiava discussões, sobre qualquer tema, com qualquer pessoa. Teve alguns bons amigos que em um breve espaço de tempo se provaram nem tão amigos assim. Teve vários bons momentos em que se sentira tão feliz que precisava compartilhar com o mundo. Ai se lembrava que não tinha com quem o fazer, e sentia-se feliz pelo simples fato de se sentir assim, sem depender de ninguém. À uma certa fase, entregou-se aos prazeres mundanos: namorou, saiu, viu mil filmes diferentes, reclamou de todos, participou de programas da TV, teve amigos, alguns. E com cada um, mais tarde, acabou se decepcionando. Descobriu o significado de falsidade, de abuso, de dor. Sentiu-se abandonada inúmeras vezes. Resolveu que, mais uma vez, à ela, ela mesma bastaria. Tantas falas guardadas pela indisposição à se indispor com o mundo, tantos sentimentos omitidos. Não valia a pena insistir em algo que seria sempre da mesma forma. Nestes momentos, ela simplesmente desistia, deixava tudo pra lá, concordava e se calava. Ela ouvira falar algo sobre corações calejados anteriormente. Entendia perfeitamente o sentido disso naquele momento. Não fazia questão de amigos, de família, de ninguém. Não fazia questão da aprovação de ninguém, da opinião de ninguém, da ajuda de ninguém. À ela, ela mesma bastava. Não se preocupava em demonstrar tristeza, cansaço ou insatisfação. Ninguém se importaria, de qualquer forma. Viveu a vida apenas concordando, omitindo, farsando. E a única coisa que a incomodava era não se incomodar. Não se incomodava mais com as atitudes errôneas e egoístas de outrem. Apenas suspirava, sorria e seguia em frente diante delas. Não valia a pena. Viveu uma vida sozinha. À ela, ela mesma bastava.
domingo, 16 de janeiro de 2011
Aos meus amores.
É eu sei. Faz 4 meses e eu peço desculpa pela ausência. Mas prometo tentar manter uma certa constância de agora em diante. Agora, voltemos ao que importa.
" Eu estava pensando nela, pensando em mim, pensando em nós, o que nós vamos ser?
Abro meus olhos, sim, foi apenas só um sonho. " Nelly - Just a Dream
Muitas vezes nós acreditamos em alguma coisa com tanta força que podemos começar a pensar que tal coisa é realidade. E ai, num belo domingo você descobre que nada é o que parece e que tudo que é importante pra você não existe.
Pode ser que tal ilusão seja uma certa pessoa, um certo sentimento, algo de valor material ou qualquer outra coisa. O importante é que o ser humano se ilude muito fácil. E nada disso faz com que a nossa vida se torne fácil.
Todos esses momentos de frustração traz pra gente aqueles que realmente se importam conosco.
Hoje não foi um dia nada fácil pra mim e minha criatividade tá em zero.
Só estou aqui pra agradecer do fundo da minha alma por vocês existirem.
João Victor, Isabela Guizilini, Felipe Otávio e Camila Quin, vocês não tem noção da importancia de vocês na minha vida. Hoje e sempre.
Obrigada por tudo. <3
" Eu estava pensando nela, pensando em mim, pensando em nós, o que nós vamos ser?
Abro meus olhos, sim, foi apenas só um sonho. " Nelly - Just a Dream
Muitas vezes nós acreditamos em alguma coisa com tanta força que podemos começar a pensar que tal coisa é realidade. E ai, num belo domingo você descobre que nada é o que parece e que tudo que é importante pra você não existe.
Pode ser que tal ilusão seja uma certa pessoa, um certo sentimento, algo de valor material ou qualquer outra coisa. O importante é que o ser humano se ilude muito fácil. E nada disso faz com que a nossa vida se torne fácil.
Todos esses momentos de frustração traz pra gente aqueles que realmente se importam conosco.
Hoje não foi um dia nada fácil pra mim e minha criatividade tá em zero.
Só estou aqui pra agradecer do fundo da minha alma por vocês existirem.
João Victor, Isabela Guizilini, Felipe Otávio e Camila Quin, vocês não tem noção da importancia de vocês na minha vida. Hoje e sempre.
Obrigada por tudo. <3
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