segunda-feira, 24 de maio de 2010

Sobre bilhões de infernos.

Essa semana eu tive um sonho. Um sonho que poderia ser só mais um. Se ele não fosse um inferno.
Se você alguma vez já experimentou a sensação de acordar chorando, sabe como é estranho, frustrante e deprimente passar por isso.
Se não passou, é mais ou menos assim: você acorda no meio da noite, depois de sonhar com algo ruim (mesmo que seja ruim só para você)e você precisa DESESPERADAMENTE contar isso pra alguém, receber um abraço, ouvir um 'eu te amo', mesmo o mais superficial deles e saber que, de uma forma ou outra tudo vai acabar bem.
Alguém sabe porque isso acontece? Não? Eu digo porque.
Tudo de ruim que alguém pode passar acontece ao lado de um imbecil que vai falar "com o tempo isso vai passar".
Sim, um imbecil.
O tempo não cura nada. O ser humano tem essa mania de achar que as coisas se curam.
O que acontece, na verdade, é uma subjugação de fatos ocorridos.
O nosso consciente, a parte do cérebro em que comandamos, esquece as coisas horríveis que passamos. Mas e aqueles 90% dos quais a gente não tem domínio?
Como ficam? Eu digo como.
Eles guardam cada coisinha que nós passamos cotidianamente. E esses marcos ruins que "o tempo curou" continuam gravados lá.
E algumas vezes, esse subconsciente fica tão sobrecarregado de informações que ele precissa arrumar um jeito de extravasar.
E é por isso que nós sonhamos e temos pesadelos.
Mesmo que esse pesadelo só seja ruim pra mim.
Porque só pra mim? Porque o que parece ruim pra mim pode parecer ótimo ao seus olhos. E o contrário também acontece.
Afinal, todo inferno é pessoal.

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