segunda-feira, 25 de maio de 2009

Tudo Junto e Misturado.

Já perceberam que existem coisas na vida que não se pode isolar? Outro dia, eu parei pra pensar em... amendoim japones (!!!) e descobri isso. E que nisso existe uma grande (ok, nem tanto assim, vai) lição de moral. Se você come o amendoim do meio, parece uma coisa insossa, sem gosto e sem graça. Mas se você come só a 'cobertura', chega uma hora que enjoa. Ou seja, é uma das coisas que só são perfeitas juntas e felizes. Como arroz e feijão, calça jeans e camiseta, Chitãozinho e Xororó, macarrão e queijo e a Branca de Neve e os sete Anões.
É claro que tudo isso é teoria. Nem todo mundo é fã de amendoim japonês, tem quem goste de arroz e não goste de feijão e vice versa, quem não use calça jeans ou camiseta, Chitãozinho tem uma vida separado de Xororó, tem gente (eu, x] )que não gosta de queijo no macarrão e a Branca de Neve faz sucesso sem os anões.
Sem querer ser estraga prazeres, mas tudo que é inseparável, vive bem sozinho. Mas claro que isso não tem graça, já que, eu concordo, tudo de bom na vida vem em pares.
Falando de um namoro, por exemplo, é claro que você não pensa 'não preciso de você pra viver', mas ambos viveram bem por tempos antes de se conhecerem. Juro, não sou a favor da solidão e do isolamento, só estou expondo um pensamento.
Voltando ao amendoim japonês e a sua lição de moral, é o seguinte: como eu já disse antes, tudo que é inseparável, vive sozinho. Mas separados, são todos como amendoim japonês.
Se você come somente a 'casquinha' dele, enjoa. Mas se comemos somente o amendoim do meio, parece sem graça. Moral da historia? Simples assim: tudo no mundo tem sua individualidade (até os amendoins), mas toda essa individualidade só é perfeita em conjunto.
E trago uma proposta com isso. Que tal deixar de lado aqueles pensamentos egoistas de "eu vivo bem sozinho"? Curta a sua individualidade, sim! Mas não a deixe incompleta. O perfeito (ou quase perfeito), é tudo junto, batido e misturado. ;)

sábado, 23 de maio de 2009

Revolta musical

Um dia desses, estava fazendo compras, com minha camiseta preferida, uma camiseta do Iron, inspirada no álbum "The Reincarnation of Benjamin Breeg". Quando, em um momento remoto entre abrir os saquinhos, driblar a esteira chata e irritante e ensacar os pordutos, uma senhora de seus 70 anos me chama a atenção quando comenta com seu marido "Tá vendo como as bandas de rock clássico ainda fazem sucesso?". Pensei em comentar que Iron Maiden não é Classic Rock, mas sim Heavy Metal, ou Hard Rock, como alguns seres por aí afirmam com certeza, mas achei melhor deixar pra lá o comentário maldoso.
Mas esse incidente musical na fila do caixa, me fez pensar um pouco em como tudo hoje é muito fútil (aliás me fez pensar um pouco mais, pois que o mundo é fútil eu já sabia faz tempo...). Ande por um lugar público e preste atenção em quantas pessoas você enxerga usando camisetas de banda. Talvez você pense que não tem nada demais, como a maioria das pessoas. Mas pergunte a qualquer uma delas o nome de um álbum da banda que ela estampa no corpo, uma das melhores músicas ou quem é o vocalista. Duvido que mais do que umas 3 ou 4 pessoas te respondam corretamente (ah, e o nome que está na camiseta, não conta :P).
Estou cansada dessas pessoas que nunca tiveram a honra de ouvir "hallowed by the name", "the show must go on" ou "here comes the sun", desfilarem por aí com roupas, estampas e estilos das maiores e melhores bandas de todos os tempos! Isso pra mim é uma ofensa.
Outra coisa que me cansa e desgasta são aqueles viciados em metal que nunca ouviram sequer uma música dos Beatles, Queen ou Elvis, dizem que só o que é metal presta, que Beatles é coisa de nerd, Queen coisa de viado e Elvis coisa de paspalho. FALA SÉRIO! Alguém merece isso? Será que algum desses Jidiotas sabe porque Elvis Presley é considerado "o Rei"? Eu respondo.
Porque o nosso Rei viveu em uma época onde os negros eram tratados como uma outra espécies, e não podiam sequer frequentar os mesmos lugares que os brancos. E enquanto tudo isso acontecia, Elvis frequentava locais de negros. Juntando o estilo de música americana da época eo Jazz, estilo de música negra da época, Elvis praticamente CRIOU o rock. Os Beatles, se inspiravam em Elvis Presley. Rolling Stones melhoraram o som dos Beatles, e assim sussecivamente. Percebe? Sem ESSA base, o metal, que todas essas pessoas tanto defendem, não existiria.
Acho que está na hora de todos pararem de se limitar. Ao seu próprio gosto, ao modismo ou à qualquer coisa! Porque tenho certeza que o que incomoda a mim, também incomoda a vários outros amantes da música e de sua história.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Elogio à vagabundagem

-> Texto por Antonio Prata.

A primeira vez que chamei um táxi depois da meia noite e a telefonista me atendeu com um convicto "bom dia!", fiquei perplexo. Desde os 3 anos, se não me engano, tinha cá para mim como uma verdade incontestável que dia era quando estava claro e noite quando estava escuro, certo? Bem, segundo a moça do táxi, não. Cheguei a olhar o relógio para ver se as horas tinham passado sem que eu percebesse. Negativo, os ponteiros marcavam 1h30 AM. AM, entenderam? Olhei então pela janela: vai que por algum fenômeno metereológico, por causa do buraco na camada de ozônio ou da emissão de gases na produção de embalagens de Danoninho, o nascer do sol tivesse se adiantado em... cinco horas?! Também não: lá fora o céu continuava escuro como o cabelo da Branca de Neve. Por que diabos, então, a moça do radiotaxi havia me dado bom dia?

* * *
Quando ligo para algum amigo no trabalho e a moça pergunta "fulano de onde?", nunca sei o que dizer. Dependendo do amigo, o mais correto seria: "De onde? Ah, do maternal, eu emprestava a minha pá pra ele no tanque de areia". Poderia também encarar a pergunta de outra forma e dizer: "De São Paulo, capital". Quem sabe, talvez, a questão fosse muito mais simples e pudesse me sair assim: "Da cozinha, queridona. Agora da sala, indo pro quarto... É que a gente comprou um telefone sem fio, sabe?"
As duas situações me parecem fruto de uma mesma semente: a burocratização da vida. Bureau significa escritório, em francês. Burocratizar a vida é, portanto, algo como "escritorizá-la". É submeter o cotidiano às mesmas regras que organizam uma firma: encarar os fatos com planejamento, arrumar tudo em fichários, liberar só com carimbos e tentar ser o mais eficiente possível. (Ah, eficiência! Quantos crimes já não se cometeram em seu nome?!) Acreditar que depois da meia noite já é amanhã é um procedimento burocrático, necessário para o bom funcionamento dos negócios bancários, o planejamento das companhias aéreas e a precisão das multas de trânsito. Para a maioria de nós, no entanto, mortais não fardados nem fadados a encarar a vida como tarefa administrativa, a coisa parece meio esquisita. Da mesma forma, quando alguém pergunta "fulano de onde?", podemos subentender "fulano de que empresa?". Como se todas as pessoas fossem, antes de serem amigas, primas, irmãs ou namoradas umas das outras, empregadas de alguma firma. O trabalho vem antes de tudo.
Tanto em uma quanto em outra situação, a intenção das pessoas do outro lado da linha é, conseguindo mais eficiência, melhorar a produção e expandir seus negócios. Nem que para isso tenham que trocar o dia pela noite e pôr o mundo de pernas pro ar. Time is money, meus caros, e money, assim como o tempo, não se gasta por aí passeando, telefonando para fofocar nem lendo bobagens edificantes como estas aqui. Ou será que sim?