Impressionante como a gente se preocupa com as pessoas de quem a gente gosta. As vezes por tão pouco. As vezes sem motivo.
O caso é que qualquer coisa que levante suspeitas de que algo vem acontecendo com quem a gente ama, nos deixa com o coração apertado, sem conseguir dormir e pensando nisso a cada cinco segundos.
Essa sensação é perturbadora. Mesmo.
Queria entender de fato o que acontece com os seres humanos. Como, um ser que pode desejar a morte de outra pessoa pode, ao mesmo tempo, ter esse instinto de proteger, cuidar e zelar por alguém que ame?
Isso é muuito estranho. '-'
domingo, 20 de dezembro de 2009
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Quem Sou Eu.
Estava tentando arrumar alguma coisa decente pra colocar nesse setor do meu orkut, mas uma coisa leva a outra e aqui estou eu. \o/
Acho que seria tão mais fácil se ao invés de "quem sou eu" eles pedissem uma descrição de personalidade. Afinal, é um site de relacionamentos, não? '-'
Personalidade, é, era aonde eu queria chegar.
Tenho uma opinião meio bizarra sobre isso. Acho que personalidade, cada um faz a sua. É tudo uma questão de decisão.
Decidir o que ser, como ser, com quem ser. É, isso mesmo, com quem ser. Ou vai me dizer que você é a mesma pessoa, com a mesma personalidade com todas as pessoas do universo?
Nós decidimos como queremos ser. Decidimos ser pessoas arrogantes ou humildes; antipáticas ou simpáticas; apáticas ou sentimentalistas; divertidas ou monótas; felizes ou reclamonas.
Decidimos, em todos os momentos da nossa vida, como seremos dali em diante. Mesmo que esse "em diante" dure apenas algumas horas.
Personalidade é uma das coisas mais estranhas que eu conheço. Tão mutável e ao mesmo tempo tão permanente não é? Sim, permanente, porque, como diz o ditado popular "A primeira impressão é a que fica."
Talvez essa impressão não seja legítima, mas pode te perseguir para o resto da vida.
Enfim, voltando ao assunto principal (é, eu viajo as vezes), nós nos moldamos como queremos e precisamos.
Como eu sei, ou penso que sei, disso? Simples.
Hoje eu decidi mudar, me jogar no mundo, sem ter medo de ser feliz ao meu modo. E também sem ter medo de quebrar a cara. Afinal, é quebrando a cara que a gente aprende.
Talvez isso só dure até amanhã de manhã, mas por enquanto, tudo vai bem, de acordo com os planos. E isso é fantástico.
Acho que seria tão mais fácil se ao invés de "quem sou eu" eles pedissem uma descrição de personalidade. Afinal, é um site de relacionamentos, não? '-'
Personalidade, é, era aonde eu queria chegar.
Tenho uma opinião meio bizarra sobre isso. Acho que personalidade, cada um faz a sua. É tudo uma questão de decisão.
Decidir o que ser, como ser, com quem ser. É, isso mesmo, com quem ser. Ou vai me dizer que você é a mesma pessoa, com a mesma personalidade com todas as pessoas do universo?
Nós decidimos como queremos ser. Decidimos ser pessoas arrogantes ou humildes; antipáticas ou simpáticas; apáticas ou sentimentalistas; divertidas ou monótas; felizes ou reclamonas.
Decidimos, em todos os momentos da nossa vida, como seremos dali em diante. Mesmo que esse "em diante" dure apenas algumas horas.
Personalidade é uma das coisas mais estranhas que eu conheço. Tão mutável e ao mesmo tempo tão permanente não é? Sim, permanente, porque, como diz o ditado popular "A primeira impressão é a que fica."
Talvez essa impressão não seja legítima, mas pode te perseguir para o resto da vida.
Enfim, voltando ao assunto principal (é, eu viajo as vezes), nós nos moldamos como queremos e precisamos.
Como eu sei, ou penso que sei, disso? Simples.
Hoje eu decidi mudar, me jogar no mundo, sem ter medo de ser feliz ao meu modo. E também sem ter medo de quebrar a cara. Afinal, é quebrando a cara que a gente aprende.
Talvez isso só dure até amanhã de manhã, mas por enquanto, tudo vai bem, de acordo com os planos. E isso é fantástico.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Pijamas e Rubem Braga
Essa semana foi uma coisa de louco! Cada coisa que parecia que iria dar errado deu certo inexplicavelmente. Procurando uma comunidade, encontrei o orkut do melhor cronista do mundo. E indo comprar roupas de bebê, encontrei a livraria com promoções... O resultado disso foi Manoel de Barros e Rubem Braga (Ri muito com o livro de Manoel de Barros, "O Livro das Ignorãças" para quem interessar :D).
Terminei meu livro, peguei o outro, li uma crônica chamada "Aula de Inglês" e fui tomar banho. Saindo do banho, percebi algo muito bizarro no meu pijama, ou melhor, nos pijamas em geral.
Todo pijama tem tecido de pijama. Não adianta falar que o tecido é o mesmo que o das outras coisas, mas não é mesmo! O dos pijamas é diferente! É mais macio, ou sei lá.
Talvez os fabricantes de pijamas sejam, na verdade, como aqueles magos do sono.
E talvez, no tecido dos pijamas, eles despejem um material sonífero que torna o tecido mais macio e deixa a gente caindo de sono.
Ou talvez isso seja uma imensa viagem sobre pijamas.
Não sei, afinal, essa semana foi uma coisa de louco! Haha =D
Terminei meu livro, peguei o outro, li uma crônica chamada "Aula de Inglês" e fui tomar banho. Saindo do banho, percebi algo muito bizarro no meu pijama, ou melhor, nos pijamas em geral.
Todo pijama tem tecido de pijama. Não adianta falar que o tecido é o mesmo que o das outras coisas, mas não é mesmo! O dos pijamas é diferente! É mais macio, ou sei lá.
Talvez os fabricantes de pijamas sejam, na verdade, como aqueles magos do sono.
E talvez, no tecido dos pijamas, eles despejem um material sonífero que torna o tecido mais macio e deixa a gente caindo de sono.
Ou talvez isso seja uma imensa viagem sobre pijamas.
Não sei, afinal, essa semana foi uma coisa de louco! Haha =D
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Sonhos um tanto loucos
O sonho da minha vida é encontrar e socializar com a razão da minha existência literária, Antonio Prata. Mas é claro que ele não sabe nem mesmo que eu existo.
Essa semana ele postou algo sobre bitucas no jardim, a quem interessar conhecê-lo, http://blog.estadao.com.br/blog/antonioprata/.
É claro que meu sonho é um tanto louco. Mas quem não tem um sonho um tanto louco?
Algum sonhos, como o da minha melhor amiga são tanto loucos como divertidos. O sonho dela é ter uma casa enorme com um tobogan da janela do quarto dela diretamente a piscina. Alguns sonham em matar alguem ou coisas um tanto sinistras.
Mas a melhor (ou pior, no meu caso :/) parte dos sonhos um tanto loucos, é saber que eles talvez nunca se tornem realidade.
Mas esses sonhos fazem parte de quem a gente é, e formam, também, a nossa identidade.
Então, sonhemos e sejamos felizes.
(Texto rduzido em função dos quilos de verbos que eu tenho para conjulgar, graças a uma professorazinha ai... ♥)
Essa semana ele postou algo sobre bitucas no jardim, a quem interessar conhecê-lo, http://blog.estadao.com.br/blog/antonioprata/.
É claro que meu sonho é um tanto louco. Mas quem não tem um sonho um tanto louco?
Algum sonhos, como o da minha melhor amiga são tanto loucos como divertidos. O sonho dela é ter uma casa enorme com um tobogan da janela do quarto dela diretamente a piscina. Alguns sonham em matar alguem ou coisas um tanto sinistras.
Mas a melhor (ou pior, no meu caso :/) parte dos sonhos um tanto loucos, é saber que eles talvez nunca se tornem realidade.
Mas esses sonhos fazem parte de quem a gente é, e formam, também, a nossa identidade.
Então, sonhemos e sejamos felizes.
(Texto rduzido em função dos quilos de verbos que eu tenho para conjulgar, graças a uma professorazinha ai... ♥)
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Um dia a gente aprende.
Um dia a gente aprende a aprender com os nossos erros. Um dia a gente entende que nem todo mundo é como a gente. Um dia a gente descobre que não se pode confiar em ninguém, porque, seja como for, as pessoas vão trair a sua confiança. Um dia a gente descobre que ser doente cansa. Um dia a gente sente que o mundo nos odeia. E ai o que a gente faz? Chora? Se me perguntasse ontem, sim, a gente choraria.
Mas hoje não. Hoje a gente vai mandar tudo pra merda. Porque o meu dia chegou. E eu aprendi que por mais que um erro tenha sido o maior da sua vida, você aprendeu com ele. Algo de bom você tirou disso. Eu entendi que ninguém é igual. E que ninguém pode te cobrar por isso. Eu descobri que a única pessoa em quem se pode confiar... Somos nós mesmos. E mesmo assim, desconfiar de nossa integridade. Eu descobri que ser doente, fisica e/ou emocionalmente cansa. Pelo preconceito, pelos olhares, pelo tratamento. E hoje eu sei que o mundo me odeia. E eu odeio ele de volta.
As pessoas nunca entendem o jeito que nós nos sentimos, e elas realmente não estão nem aí. Cada um por si e os outros que se danem.
E mais do que tudo isso, eu descobri que sentimentos doem.
Amar machuca. Porque o amor, é uma mentira. E para sempre é a maior farsa do mundo.
E mais do que tudo, eu aprendi a ser diferente. Que o mundo vá pra merda,
Mas hoje não. Hoje a gente vai mandar tudo pra merda. Porque o meu dia chegou. E eu aprendi que por mais que um erro tenha sido o maior da sua vida, você aprendeu com ele. Algo de bom você tirou disso. Eu entendi que ninguém é igual. E que ninguém pode te cobrar por isso. Eu descobri que a única pessoa em quem se pode confiar... Somos nós mesmos. E mesmo assim, desconfiar de nossa integridade. Eu descobri que ser doente, fisica e/ou emocionalmente cansa. Pelo preconceito, pelos olhares, pelo tratamento. E hoje eu sei que o mundo me odeia. E eu odeio ele de volta.
As pessoas nunca entendem o jeito que nós nos sentimos, e elas realmente não estão nem aí. Cada um por si e os outros que se danem.
E mais do que tudo isso, eu descobri que sentimentos doem.
Amar machuca. Porque o amor, é uma mentira. E para sempre é a maior farsa do mundo.
E mais do que tudo, eu aprendi a ser diferente. Que o mundo vá pra merda,
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
(...)
Depois de algum tempo você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanha é incerto demais para os planos, e o futuro tem costume de cair em meio ao vão. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoa-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se levam anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-las, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distancias. E que o importante não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa – por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que a veremos. Aprende que as circunstancias e os ambientes têm influencia sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa aonde chegou, mas onde está indo.Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicado e frágil seja a situação, sempre existe dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute quando cai, é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que maturidade tem mais a ver com o tipo de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas, do que quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te da o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ame com tudo que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas não sabem como viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade que julga, você será algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que o conserte. Aprende que o tempo não é algo que volte para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar...que realmente é forte e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se levam anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-las, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distancias. E que o importante não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa – por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que a veremos. Aprende que as circunstancias e os ambientes têm influencia sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa aonde chegou, mas onde está indo.Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicado e frágil seja a situação, sempre existe dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute quando cai, é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que maturidade tem mais a ver com o tipo de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas, do que quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te da o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ame com tudo que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas não sabem como viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade que julga, você será algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que o conserte. Aprende que o tempo não é algo que volte para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar...que realmente é forte e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
O salto.
A gente não tem como saber se vai dar certo. Talvez, lá adiante, haja uma mesa num restaurante, onde você mexerá o suco com o canudo, enquanto eu quebro uns palitos sobre o prato -- pequenas atividades às quais nos dedicaremos com inútil afinco, adiando o momento de dizer o que deve ser dito. Talvez, lá adiante: mas entre o silêncio que pode estar nos esperando então e o presente -- você acabou de sair da minha casa, seu cheiro ainda surge vez ou outra pelo quarto –, quem sabe não seremos felizes? Entre a concretude do beijo de cinco minutos atrás e a premonição do canudo girando no copo pode caber uma vida inteira. Ou duas.
Passos improvisados de tango e risadas, no corredor do meu apartamento. Uma festa cheia de amigos queridos, celebrando alguma coisa que não saberemos direito o que é, mas que deve ser celebrada. Abraços, borrachudos, a primeira visão de seus pertences, respirações ofegantes, camarões, cafunés, banhos de mar – eu te agarrando com as pernas e tapando o nariz, enquanto subimos e descemos com as ondas -- mãos dadas no cinema, uma poltrona verde e gorda comprada num antiquário, um tatu bola na grama de um sítio, algumas cidades domesticadas sob nossos pés, postais pregados com tachinhas no mural da cozinha e garrafas vazias num canto da área de serviço. Então, numa manhã, enquanto leio o jornal, te verei escovando os dentes e andando pela casa, dessa maneira aplicada e displicente que você tem de escovar os dentes e andar ao mesmo tempo e saberei, com a grandiosa certeza que surge das pequenas descobertas, que sou feliz.
Talvez, céus nublados e pancadas esparsas nos esperem mais adiante. Silêncios onde deveria haver palavras, palavras onde poderia haver carinho, batidas de frente, gritos até. Depois faremos as pazes. Ou não?
Tudo que sabemos agora é que eu te quero, você me quer e temos todo o tempo e o espaço diante de nossos narizes para fazer disso o melhor que pudermos. Se tivermos cuidado e sorte – sobretudo, talvez, sorte -- quem sabe, dê certo? Não é fácil. Tampouco impossível. E se existe essa centelha quase palpável, essa esperança intensa que chamamos de amor, então não há nada mais sensato a fazer do que soltarmos as mãos dos trapézios, perdermos a frágil segurança de nossas solidões e nos enlaçarmos em pleno ar. Talvez nos esborrachemos. Talvez saiamos voando. Não temos como saber se vai dar certo -- o verdadeiro encontro só se dá ao tirarmos os pés do chão --, mas a vida não tem nenhum sentido se não for para dar o salto.
Passos improvisados de tango e risadas, no corredor do meu apartamento. Uma festa cheia de amigos queridos, celebrando alguma coisa que não saberemos direito o que é, mas que deve ser celebrada. Abraços, borrachudos, a primeira visão de seus pertences, respirações ofegantes, camarões, cafunés, banhos de mar – eu te agarrando com as pernas e tapando o nariz, enquanto subimos e descemos com as ondas -- mãos dadas no cinema, uma poltrona verde e gorda comprada num antiquário, um tatu bola na grama de um sítio, algumas cidades domesticadas sob nossos pés, postais pregados com tachinhas no mural da cozinha e garrafas vazias num canto da área de serviço. Então, numa manhã, enquanto leio o jornal, te verei escovando os dentes e andando pela casa, dessa maneira aplicada e displicente que você tem de escovar os dentes e andar ao mesmo tempo e saberei, com a grandiosa certeza que surge das pequenas descobertas, que sou feliz.
Talvez, céus nublados e pancadas esparsas nos esperem mais adiante. Silêncios onde deveria haver palavras, palavras onde poderia haver carinho, batidas de frente, gritos até. Depois faremos as pazes. Ou não?
Tudo que sabemos agora é que eu te quero, você me quer e temos todo o tempo e o espaço diante de nossos narizes para fazer disso o melhor que pudermos. Se tivermos cuidado e sorte – sobretudo, talvez, sorte -- quem sabe, dê certo? Não é fácil. Tampouco impossível. E se existe essa centelha quase palpável, essa esperança intensa que chamamos de amor, então não há nada mais sensato a fazer do que soltarmos as mãos dos trapézios, perdermos a frágil segurança de nossas solidões e nos enlaçarmos em pleno ar. Talvez nos esborrachemos. Talvez saiamos voando. Não temos como saber se vai dar certo -- o verdadeiro encontro só se dá ao tirarmos os pés do chão --, mas a vida não tem nenhum sentido se não for para dar o salto.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Amores Expressos e Mentirosos
Hoje eu descobri que tudo que eles nos diziam sobre amor, na verdade é uma grande mentira. Uma farsa pra nos fazer acreditar que nós somos capazes de mudar o mundo. Ou nem tanto.
Mas tudo é falso. A historia de que "quem ama cuida", por exemplo. As pessoas de quem a gente tem mais certeza, são aquelas em quem a gente mais pisa e chuta. Justamente por essa certeza imbecil. Acontece que nem todo amor é incondicional. Amigos amam até certo ponto. Namorados(as) amam até certo ponto. Pais amam até certo ponto. Passou o tempo de se acreditar em amores incondicionais.
Aquela história de que "você entende quando crescer" é pura mentira. Tudo só se confunde mais quando você cresce. Nem seus próprios sentimentos você entende mais. Crescer é um saco. Porque eu não posso mais sair correndo pra minha mãe me dar um beijo no joelho porque eu cai da bicicleta e fiz um 'dodói' no joelho. Ninguém ensina a gente que depois que crescemos, surgem dores que não passam com miminhos.
As palavras... Ah! As palavras. São estas a arma mais letal que existem. Combine más palavras com más atitudes e o efeito é bem pior que uma bomba nuclear. Porque uma bomba, mata o físico. Quem morre, não sente. Mas as palavras... Ah, as palavras. Elas te corroem por dentro até te deixarem vazias. E o vazio, dói. E muito.
E é ai que você diz que "o tempo cura todas as feridas". E é aí que eu discordo. O tempo não cura nada. Não é porque você não gosta de tirar 'casquinha' pra ver sangrar, que a ferida nao continua ali. Você ainda a sente, mas cicatrizes são eternas.
Dizem alguns por aí que são ferimentos de guerra. Um relacionamento, qualquer que seja, não deve ser considerado uma guerra. Deveria ser uma paz mundial, entre turbulências e calmarias.
O século XXI subestima demais essa coisa tão grande chamada 'amor'. Hoje, o orgulho fala mais alto, e entre dois orgulhosos, não existe "ceder". O amor se compõe de consessões. E conciliação de defeitos (veja bem, concilicação, não correção).
Quem sabe relacionamentos não foram feitos para dar certo. Ou quem sabe, um dia, enfim, descobriremos a chave da boa convivência e conseguiremos, então, conquistar um feliz para sempre de verdade?
Mas tudo é falso. A historia de que "quem ama cuida", por exemplo. As pessoas de quem a gente tem mais certeza, são aquelas em quem a gente mais pisa e chuta. Justamente por essa certeza imbecil. Acontece que nem todo amor é incondicional. Amigos amam até certo ponto. Namorados(as) amam até certo ponto. Pais amam até certo ponto. Passou o tempo de se acreditar em amores incondicionais.
Aquela história de que "você entende quando crescer" é pura mentira. Tudo só se confunde mais quando você cresce. Nem seus próprios sentimentos você entende mais. Crescer é um saco. Porque eu não posso mais sair correndo pra minha mãe me dar um beijo no joelho porque eu cai da bicicleta e fiz um 'dodói' no joelho. Ninguém ensina a gente que depois que crescemos, surgem dores que não passam com miminhos.
As palavras... Ah! As palavras. São estas a arma mais letal que existem. Combine más palavras com más atitudes e o efeito é bem pior que uma bomba nuclear. Porque uma bomba, mata o físico. Quem morre, não sente. Mas as palavras... Ah, as palavras. Elas te corroem por dentro até te deixarem vazias. E o vazio, dói. E muito.
E é ai que você diz que "o tempo cura todas as feridas". E é aí que eu discordo. O tempo não cura nada. Não é porque você não gosta de tirar 'casquinha' pra ver sangrar, que a ferida nao continua ali. Você ainda a sente, mas cicatrizes são eternas.
Dizem alguns por aí que são ferimentos de guerra. Um relacionamento, qualquer que seja, não deve ser considerado uma guerra. Deveria ser uma paz mundial, entre turbulências e calmarias.
O século XXI subestima demais essa coisa tão grande chamada 'amor'. Hoje, o orgulho fala mais alto, e entre dois orgulhosos, não existe "ceder". O amor se compõe de consessões. E conciliação de defeitos (veja bem, concilicação, não correção).
Quem sabe relacionamentos não foram feitos para dar certo. Ou quem sabe, um dia, enfim, descobriremos a chave da boa convivência e conseguiremos, então, conquistar um feliz para sempre de verdade?
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Desplanejar é a solução.
Que tal discutir um pouco sobre os nossos planos de vida? Hoje pensei muito sobre isso. Todos nós montamos um esquema pra viver, o qual sempre tentamos seguir à risca. Montamos um plano de jogo, e quando algo sai diferente do esperado, nós nos perdemos. Focalizamos um objetivo, que achamos ser o melhor, e deixamos de enxergar o que está bem a nossa frente. É muito difícil, em termos, para nós enxergarmos o que tem estado conosco todos os dias da nossa vida. O ser humano tem uma séria mania de ter certeza sobre todas as coisas, até o dia em que se descobre que tudo que se acredita ser certo é, de fato, o oposto. Tudo isso tem uma solução, de certo. Parar de planejar cada dia de sua vida, talvez faça com que tudo saia bem melhor. Prestar atenção ao que lhe é dado, sem cobrar o que não tens. É típico da nossa espécie, ao invés de ser feliz com o que tem, com o que ganha, com o que tem, se sentir infeliz por não ter alguma coisa que ele nunca terá. Paremos de nos preucupar tanto com a opinião dos outros. Paremos de reclamar sobre o que temos ganhado de bom grado. Paremos de planejar uma vida perfeita em um padrão social impossível. Porque? Porque nós teremos um mundo (e principalmente uma vida) muito mais feliz se considerarmos o que temos, as oportunidades que nos são dadas como perfeito ao nosso padrão. Afinal, cada pessoa é única. Prestemos atenção aos detalhes ao nosso redor, aproveite cada chance, viva, sinta, sorria, e mais do que qualquer outra coisa, ame-se! ;)
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
O Brasil é o fim do mundo.
É a mais pura verdade. Nostradamus disse que próximo do terceiro milênio uma besta barbuda descerá triunfante sobre um condado do hemisfério sul espalhando desgraça e a miséria. Será reconhecido por não possuir seus membros superiores totalmente completos. Trará com ele uma horda que dominará e exterminará as aves bicudas e implantará a barbárie por muitas datas sobre um povo tolo e leviano.
Vivemos num país onde gente que não sabe nem falar direito, urina em um plenário e diz na Turquia que, não importa se for judeu ou árabe, se é vendedor ambulante, é tudo turco... é p-r-e-s-i-d-e-n-t-e. Onde um grande jornal é censurado por expor a verdade. E onde a candidata a presidente é ex-guerrilheira.
Ninguem aqui entendeu ainda que o Brasil tá caindo de novo nos braços da ditadura.
Cansei daqui. O único país onde não se precisa de ABSOLUTAMENTE nada pra entrar, viver, procriar e morrer. Onde a política é conhecida mundialmente por ser extremamente corrupta.
É claro que tem suas vantagens, mas tudo que é desvantagem me frustra e revolta cada dia mais.
E, pela censura do Estadão, leia nas entrelinhas, querido governo brasileiro.
Vivemos num país onde gente que não sabe nem falar direito, urina em um plenário e diz na Turquia que, não importa se for judeu ou árabe, se é vendedor ambulante, é tudo turco... é p-r-e-s-i-d-e-n-t-e. Onde um grande jornal é censurado por expor a verdade. E onde a candidata a presidente é ex-guerrilheira.
Ninguem aqui entendeu ainda que o Brasil tá caindo de novo nos braços da ditadura.
Cansei daqui. O único país onde não se precisa de ABSOLUTAMENTE nada pra entrar, viver, procriar e morrer. Onde a política é conhecida mundialmente por ser extremamente corrupta.
É claro que tem suas vantagens, mas tudo que é desvantagem me frustra e revolta cada dia mais.
E, pela censura do Estadão, leia nas entrelinhas, querido governo brasileiro.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Tudo Junto e Misturado.
Já perceberam que existem coisas na vida que não se pode isolar? Outro dia, eu parei pra pensar em... amendoim japones (!!!) e descobri isso. E que nisso existe uma grande (ok, nem tanto assim, vai) lição de moral. Se você come o amendoim do meio, parece uma coisa insossa, sem gosto e sem graça. Mas se você come só a 'cobertura', chega uma hora que enjoa. Ou seja, é uma das coisas que só são perfeitas juntas e felizes. Como arroz e feijão, calça jeans e camiseta, Chitãozinho e Xororó, macarrão e queijo e a Branca de Neve e os sete Anões.
É claro que tudo isso é teoria. Nem todo mundo é fã de amendoim japonês, tem quem goste de arroz e não goste de feijão e vice versa, quem não use calça jeans ou camiseta, Chitãozinho tem uma vida separado de Xororó, tem gente (eu, x] )que não gosta de queijo no macarrão e a Branca de Neve faz sucesso sem os anões.
Sem querer ser estraga prazeres, mas tudo que é inseparável, vive bem sozinho. Mas claro que isso não tem graça, já que, eu concordo, tudo de bom na vida vem em pares.
Falando de um namoro, por exemplo, é claro que você não pensa 'não preciso de você pra viver', mas ambos viveram bem por tempos antes de se conhecerem. Juro, não sou a favor da solidão e do isolamento, só estou expondo um pensamento.
Voltando ao amendoim japonês e a sua lição de moral, é o seguinte: como eu já disse antes, tudo que é inseparável, vive sozinho. Mas separados, são todos como amendoim japonês.
Se você come somente a 'casquinha' dele, enjoa. Mas se comemos somente o amendoim do meio, parece sem graça. Moral da historia? Simples assim: tudo no mundo tem sua individualidade (até os amendoins), mas toda essa individualidade só é perfeita em conjunto.
E trago uma proposta com isso. Que tal deixar de lado aqueles pensamentos egoistas de "eu vivo bem sozinho"? Curta a sua individualidade, sim! Mas não a deixe incompleta. O perfeito (ou quase perfeito), é tudo junto, batido e misturado. ;)
É claro que tudo isso é teoria. Nem todo mundo é fã de amendoim japonês, tem quem goste de arroz e não goste de feijão e vice versa, quem não use calça jeans ou camiseta, Chitãozinho tem uma vida separado de Xororó, tem gente (eu, x] )que não gosta de queijo no macarrão e a Branca de Neve faz sucesso sem os anões.
Sem querer ser estraga prazeres, mas tudo que é inseparável, vive bem sozinho. Mas claro que isso não tem graça, já que, eu concordo, tudo de bom na vida vem em pares.
Falando de um namoro, por exemplo, é claro que você não pensa 'não preciso de você pra viver', mas ambos viveram bem por tempos antes de se conhecerem. Juro, não sou a favor da solidão e do isolamento, só estou expondo um pensamento.
Voltando ao amendoim japonês e a sua lição de moral, é o seguinte: como eu já disse antes, tudo que é inseparável, vive sozinho. Mas separados, são todos como amendoim japonês.
Se você come somente a 'casquinha' dele, enjoa. Mas se comemos somente o amendoim do meio, parece sem graça. Moral da historia? Simples assim: tudo no mundo tem sua individualidade (até os amendoins), mas toda essa individualidade só é perfeita em conjunto.
E trago uma proposta com isso. Que tal deixar de lado aqueles pensamentos egoistas de "eu vivo bem sozinho"? Curta a sua individualidade, sim! Mas não a deixe incompleta. O perfeito (ou quase perfeito), é tudo junto, batido e misturado. ;)
sábado, 23 de maio de 2009
Revolta musical
Um dia desses, estava fazendo compras, com minha camiseta preferida, uma camiseta do Iron, inspirada no álbum "The Reincarnation of Benjamin Breeg". Quando, em um momento remoto entre abrir os saquinhos, driblar a esteira chata e irritante e ensacar os pordutos, uma senhora de seus 70 anos me chama a atenção quando comenta com seu marido "Tá vendo como as bandas de rock clássico ainda fazem sucesso?". Pensei em comentar que Iron Maiden não é Classic Rock, mas sim Heavy Metal, ou Hard Rock, como alguns seres por aí afirmam com certeza, mas achei melhor deixar pra lá o comentário maldoso.
Mas esse incidente musical na fila do caixa, me fez pensar um pouco em como tudo hoje é muito fútil (aliás me fez pensar um pouco mais, pois que o mundo é fútil eu já sabia faz tempo...). Ande por um lugar público e preste atenção em quantas pessoas você enxerga usando camisetas de banda. Talvez você pense que não tem nada demais, como a maioria das pessoas. Mas pergunte a qualquer uma delas o nome de um álbum da banda que ela estampa no corpo, uma das melhores músicas ou quem é o vocalista. Duvido que mais do que umas 3 ou 4 pessoas te respondam corretamente (ah, e o nome que está na camiseta, não conta :P).
Estou cansada dessas pessoas que nunca tiveram a honra de ouvir "hallowed by the name", "the show must go on" ou "here comes the sun", desfilarem por aí com roupas, estampas e estilos das maiores e melhores bandas de todos os tempos! Isso pra mim é uma ofensa.
Outra coisa que me cansa e desgasta são aqueles viciados em metal que nunca ouviram sequer uma música dos Beatles, Queen ou Elvis, dizem que só o que é metal presta, que Beatles é coisa de nerd, Queen coisa de viado e Elvis coisa de paspalho. FALA SÉRIO! Alguém merece isso? Será que algum desses Jidiotas sabe porque Elvis Presley é considerado "o Rei"? Eu respondo.
Porque o nosso Rei viveu em uma época onde os negros eram tratados como uma outra espécies, e não podiam sequer frequentar os mesmos lugares que os brancos. E enquanto tudo isso acontecia, Elvis frequentava locais de negros. Juntando o estilo de música americana da época eo Jazz, estilo de música negra da época, Elvis praticamente CRIOU o rock. Os Beatles, se inspiravam em Elvis Presley. Rolling Stones melhoraram o som dos Beatles, e assim sussecivamente. Percebe? Sem ESSA base, o metal, que todas essas pessoas tanto defendem, não existiria.
Acho que está na hora de todos pararem de se limitar. Ao seu próprio gosto, ao modismo ou à qualquer coisa! Porque tenho certeza que o que incomoda a mim, também incomoda a vários outros amantes da música e de sua história.
Mas esse incidente musical na fila do caixa, me fez pensar um pouco em como tudo hoje é muito fútil (aliás me fez pensar um pouco mais, pois que o mundo é fútil eu já sabia faz tempo...). Ande por um lugar público e preste atenção em quantas pessoas você enxerga usando camisetas de banda. Talvez você pense que não tem nada demais, como a maioria das pessoas. Mas pergunte a qualquer uma delas o nome de um álbum da banda que ela estampa no corpo, uma das melhores músicas ou quem é o vocalista. Duvido que mais do que umas 3 ou 4 pessoas te respondam corretamente (ah, e o nome que está na camiseta, não conta :P).
Estou cansada dessas pessoas que nunca tiveram a honra de ouvir "hallowed by the name", "the show must go on" ou "here comes the sun", desfilarem por aí com roupas, estampas e estilos das maiores e melhores bandas de todos os tempos! Isso pra mim é uma ofensa.
Outra coisa que me cansa e desgasta são aqueles viciados em metal que nunca ouviram sequer uma música dos Beatles, Queen ou Elvis, dizem que só o que é metal presta, que Beatles é coisa de nerd, Queen coisa de viado e Elvis coisa de paspalho. FALA SÉRIO! Alguém merece isso? Será que algum desses Jidiotas sabe porque Elvis Presley é considerado "o Rei"? Eu respondo.
Porque o nosso Rei viveu em uma época onde os negros eram tratados como uma outra espécies, e não podiam sequer frequentar os mesmos lugares que os brancos. E enquanto tudo isso acontecia, Elvis frequentava locais de negros. Juntando o estilo de música americana da época eo Jazz, estilo de música negra da época, Elvis praticamente CRIOU o rock. Os Beatles, se inspiravam em Elvis Presley. Rolling Stones melhoraram o som dos Beatles, e assim sussecivamente. Percebe? Sem ESSA base, o metal, que todas essas pessoas tanto defendem, não existiria.
Acho que está na hora de todos pararem de se limitar. Ao seu próprio gosto, ao modismo ou à qualquer coisa! Porque tenho certeza que o que incomoda a mim, também incomoda a vários outros amantes da música e de sua história.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Elogio à vagabundagem
-> Texto por Antonio Prata.
A primeira vez que chamei um táxi depois da meia noite e a telefonista me atendeu com um convicto "bom dia!", fiquei perplexo. Desde os 3 anos, se não me engano, tinha cá para mim como uma verdade incontestável que dia era quando estava claro e noite quando estava escuro, certo? Bem, segundo a moça do táxi, não. Cheguei a olhar o relógio para ver se as horas tinham passado sem que eu percebesse. Negativo, os ponteiros marcavam 1h30 AM. AM, entenderam? Olhei então pela janela: vai que por algum fenômeno metereológico, por causa do buraco na camada de ozônio ou da emissão de gases na produção de embalagens de Danoninho, o nascer do sol tivesse se adiantado em... cinco horas?! Também não: lá fora o céu continuava escuro como o cabelo da Branca de Neve. Por que diabos, então, a moça do radiotaxi havia me dado bom dia?
A primeira vez que chamei um táxi depois da meia noite e a telefonista me atendeu com um convicto "bom dia!", fiquei perplexo. Desde os 3 anos, se não me engano, tinha cá para mim como uma verdade incontestável que dia era quando estava claro e noite quando estava escuro, certo? Bem, segundo a moça do táxi, não. Cheguei a olhar o relógio para ver se as horas tinham passado sem que eu percebesse. Negativo, os ponteiros marcavam 1h30 AM. AM, entenderam? Olhei então pela janela: vai que por algum fenômeno metereológico, por causa do buraco na camada de ozônio ou da emissão de gases na produção de embalagens de Danoninho, o nascer do sol tivesse se adiantado em... cinco horas?! Também não: lá fora o céu continuava escuro como o cabelo da Branca de Neve. Por que diabos, então, a moça do radiotaxi havia me dado bom dia?
* * *
Quando ligo para algum amigo no trabalho e a moça pergunta "fulano de onde?", nunca sei o que dizer. Dependendo do amigo, o mais correto seria: "De onde? Ah, do maternal, eu emprestava a minha pá pra ele no tanque de areia". Poderia também encarar a pergunta de outra forma e dizer: "De São Paulo, capital". Quem sabe, talvez, a questão fosse muito mais simples e pudesse me sair assim: "Da cozinha, queridona. Agora da sala, indo pro quarto... É que a gente comprou um telefone sem fio, sabe?"
As duas situações me parecem fruto de uma mesma semente: a burocratização da vida. Bureau significa escritório, em francês. Burocratizar a vida é, portanto, algo como "escritorizá-la". É submeter o cotidiano às mesmas regras que organizam uma firma: encarar os fatos com planejamento, arrumar tudo em fichários, liberar só com carimbos e tentar ser o mais eficiente possível. (Ah, eficiência! Quantos crimes já não se cometeram em seu nome?!) Acreditar que depois da meia noite já é amanhã é um procedimento burocrático, necessário para o bom funcionamento dos negócios bancários, o planejamento das companhias aéreas e a precisão das multas de trânsito. Para a maioria de nós, no entanto, mortais não fardados nem fadados a encarar a vida como tarefa administrativa, a coisa parece meio esquisita. Da mesma forma, quando alguém pergunta "fulano de onde?", podemos subentender "fulano de que empresa?". Como se todas as pessoas fossem, antes de serem amigas, primas, irmãs ou namoradas umas das outras, empregadas de alguma firma. O trabalho vem antes de tudo.
Tanto em uma quanto em outra situação, a intenção das pessoas do outro lado da linha é, conseguindo mais eficiência, melhorar a produção e expandir seus negócios. Nem que para isso tenham que trocar o dia pela noite e pôr o mundo de pernas pro ar. Time is money, meus caros, e money, assim como o tempo, não se gasta por aí passeando, telefonando para fofocar nem lendo bobagens edificantes como estas aqui. Ou será que sim?
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