quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

dois mil e doze

Como todos os dias, acordei morrendo de sono, com alguém na cabeça, com o frio que sinto ao acordar (não importando o calor que fazia lá fora) e o mal estar de saber que não teria nada p'ra fazer por todo o dia. E, como dizem, cabeça vazia é oficina do diabo, né. Redescobri o inferno atrás da pia, vasculhei todos os meus textos, todas as datas, voltando a sentir cada motivação por trás de cada texto... Cada sentimento aqui escondido. Tenho o inferno há mais de três anos. Passei por paixões, namoros, brigas, amigos e mudanças. É estranho olhar p'ra trás e ver tudo o que passamos, lembrar de cada coisa que nos fez crescer. Em suma, é estranha a sensação de saber que tudo é diferente. Que aqueles que considerei melhores amigos e amores, hoje, nem ao menos trocamos meia dúzia de palavras. É estranho saber que, não importa quanto tempo se passe, "à ela, ela mesma bastava" vai ser sempre a realidade da minha vida. Que "sete" será sempre meu fantasma. E que não importa o quanto eu me posicione contra o amor, eu sempre serei apaixonada pela aventura de viver intensamente cada momento.
A rotina mudou, a escola virou faculdade, a aluna virou professora. A amiga é vista como filha, e meu olhar sobre as coisas, agora é olhar de gente grande. A menininha revoltada com a vida, com as pessoas e com si mesma não existe mais. Uma mulher tomou conta dela. As preocupações são outras, as paixões são diferentes. As brigas não existem mais. Agora eu não mais choro pelos meus problemas, mas sim dou o ombro p'ra quem precisar. A visão se tornou mais crítica. O futuro se definiu mais claramente. Aprendi que não é sair de casa que resolverá meus problemas, que não é o namorado atual que será o eterno e que não vale a pena brigar com quem amamos por quem não nos dá valor. Aprendi a encarar os problemas e as diferenças, a conciliar meus defeitos com os de quem amo. E aprendi que, dessa forma, a vida vale muito mais a pena, com muito mais sorrisos.
É absurdamente estranho olhar pra trás e me enxergar naqueles que hoje eu aconselho.
É. A vida passa e as pessoas mudam, inclusive eu, que dizia nunca mudar.
O bom de tudo isso é que toda evolução vem p'ro nosso bem, que cada lição aprendida nos faz mais forte e mais centrados no que queremos. E é essa a melhor coisa a se aprender. (:

"De repente abri os olhos e percebi que a vida passa independentemente dos planos ou cuidados especiais."

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Sete.

Pelo trajeto ridículo do terminal rodoviário até minha casa, passo por duas singelas necrópoles. Todas as vezes penso na quantidade de túmulos dali, em quantas famílias sofreram, quantos filhos que deixaram seus pais ali, quantos problemas mal resolvidos… Sempre penso nos outros, em suas histórias. Não hoje.

Hoje me dei ao luxo de ser egoísta, de pensar em mim, no que sinto, na minha história, nos meus problemas mal resolvidos. Me dei ao luxo de sentir falta, imaginar situações. Criar um mundo onde tudo seria diferente: eu o teria comigo, e serias o melhor homem do mundo. Aquele por quem eu choraria, com razão, e não pelos bobos motivos pelos quais choro hoje.

Poderia acabar-me em lágrimas dizendo que sinto sua falta. Mas nem isso permitiu-me fazer, não é? Preciso sempre dizer que choro por sentir falta daquilo que você não foi. Que choro pela impossibilidade que você deixou. Pelo vazio. Pela incerteza. Por idiotice. Não precisaria dizer que deverias ser o homem mais importante da minha vida. Você simplesmente o seria. Talvez, dessa forma, tudo fosse mais fácil hoje.

Você fez as coisas de tal forma que… É impossível não sentir falta, é impossível não ter raiva, é impossível não ter dúvidas. E eu prefiro acreditar na minha versão da históriatoda p’ra conseguir ser feliz durante os 363 dias que me restam.

Apesar de tudo, foi, e sempre será, o homem mais importante do mundo p’ra mim. Não importa o quão filho-da-puta tenhas sido. Sempre será o motivo do meu choro neste dia. E sempre o amarei, mesmo que seja por um certo tanto de obrigação.

09/12/1949 - 18/10/2004. (F)

terça-feira, 5 de julho de 2011

Ela mesma bastava.

Era ela o milagre da mãe, o mimo da família. Crescera em meio do amor de sua família deveras deficiente, em foco de câmeras, cercada de pequenas frustrações. Nunca fez questão de amigos, popularidade. À ela, ela mesma bastava. Não entendia a necessidade de atenção que os outros tinham. Nunca foi fã de algo que estivesse na moda: preferia aquilo que ninguém conhecia, sem precisar dividir com ninguém. Odiava discussões, sobre qualquer tema, com qualquer pessoa. Teve alguns bons amigos que em um breve espaço de tempo se provaram nem tão amigos assim. Teve vários bons momentos em que se sentira tão feliz que precisava compartilhar com o mundo. Ai se lembrava que não tinha com quem o fazer, e sentia-se feliz pelo simples fato de se sentir assim, sem depender de ninguém. À uma certa fase, entregou-se aos prazeres mundanos: namorou, saiu, viu mil filmes diferentes, reclamou de todos, participou de programas da TV, teve amigos, alguns. E com cada um, mais tarde, acabou se decepcionando. Descobriu o significado de falsidade, de abuso, de dor. Sentiu-se abandonada inúmeras vezes. Resolveu que, mais uma vez, à ela, ela mesma bastaria. Tantas falas guardadas pela indisposição à se indispor com o mundo, tantos sentimentos omitidos. Não valia a pena insistir em algo que seria sempre da mesma forma. Nestes momentos, ela simplesmente desistia, deixava tudo pra lá, concordava e se calava. Ela ouvira falar algo sobre corações calejados anteriormente. Entendia perfeitamente o sentido disso naquele momento. Não fazia questão de amigos, de família, de ninguém. Não fazia questão da aprovação de ninguém, da opinião de ninguém, da ajuda de ninguém. À ela, ela mesma bastava. Não se preocupava em demonstrar tristeza, cansaço ou insatisfação. Ninguém se importaria, de qualquer forma. Viveu a vida apenas concordando, omitindo, farsando. E a única coisa que a incomodava era não se incomodar. Não se incomodava mais com as atitudes errôneas e egoístas de outrem. Apenas suspirava, sorria e seguia em frente diante delas. Não valia a pena. Viveu uma vida sozinha. À ela, ela mesma bastava.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Aos meus amores.

É eu sei. Faz 4 meses e eu peço desculpa pela ausência. Mas prometo tentar manter uma certa constância de agora em diante. Agora, voltemos ao que importa.

" Eu estava pensando nela, pensando em mim, pensando em nós, o que nós vamos ser?
Abro meus olhos, sim, foi apenas só um sonho. " Nelly - Just a Dream

Muitas vezes nós acreditamos em alguma coisa com tanta força que podemos começar a pensar que tal coisa é realidade. E ai, num belo domingo você descobre que nada é o que parece e que tudo que é importante pra você não existe.
Pode ser que tal ilusão seja uma certa pessoa, um certo sentimento, algo de valor material ou qualquer outra coisa. O importante é que o ser humano se ilude muito fácil. E nada disso faz com que a nossa vida se torne fácil.
Todos esses momentos de frustração traz pra gente aqueles que realmente se importam conosco.
Hoje não foi um dia nada fácil pra mim e minha criatividade tá em zero.
Só estou aqui pra agradecer do fundo da minha alma por vocês existirem.
João Victor, Isabela Guizilini, Felipe Otávio e Camila Quin, vocês não tem noção da importancia de vocês na minha vida. Hoje e sempre.
Obrigada por tudo. <3

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O amor deveria ir preso.

"Há algo curioso no amor. Como, por exemplo, a forma que ele nos toma a mente, o corpo, o tempo e a sanidade. Nos torna bipolares e focados apenas em uma única coisa."
(O Inferno Atrás da Pia, 4 de Julho de 2010)

O amor é uma merda. O amor nos torna criaturas irracionais. Faz com que choremos 3 dias seguidos por um mesmo motivo. Faz com que sintamos a pior dor do mundo. Faz com que sintamos falta de algo que nem sequer tivemos por muito tempo. Faz com que façamos loucuras. Faz com que briguemos. Faz com que descontemos todas as nossas frustrações em quem amamos. Faz com nos magoemos. Faz com que nos irritemos.
Eu odeio o amor. Eu odeio amar. Eu odeio a fraqueza que isso nos traz. Odeio a sensação de incapacidade que ele gera. Odeio que ele não seja recíproco em todos os momentos. Odeio o modo com que ele faz com que nos humilhemos. Odeio a forma como ele age.
Eu mudaria tudo no amor. Ele não deveria nos fazer tão dependentes. Ele não deveria nos deixar ir tão fundo. Ele não deveria ter consequências ruins. Deveria ser algo sempre sempre bom.
Tão bom que nós não precisássemos de mais nada para sermos felizes. Que apenas "muito amor e uma cabana" fossem suficientes.
O amor não deveria nos fazer sentir tão insuficientes para tudo. Não deveria nos fazer perder tempo odiando-o.
O amor não deveria permitir ser falsificado. Nunca deveria haver quem finge amar, permite ser amado e foge. Pirataria é crime não é?
Deveria ser crime morrer e deixar todas as complicações de seu falso amor para que outros resolvam e sofram. Deveria ser crime deixar seu amor ser comandado por alguém que não o entende. Deveria ser crime se omitir perante alguém que o ama. E deveria ser crime não poder se abrir com quem se ama.
O amor deveria ser crime.
Algo que pode ser tão bom, e trás tanta coisa boa, tem de ser ilícito.
Ilícito como uma droga. Pois assim como elas, se você não usar todos os dias, trás a você as piores consequências dores e sentimentos.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Um conto um tanto quanto verídico.

O dia era frio, o humor não era dos melhores e a insegurança já havia se instalado dentro dela. Durante todas as horas do dia, até aquele momento, ela havia se sentido deslocada e meio sozinha. Mas nada neste mundo poderia fazê-la sentir pior que o ocorrido ao final do dia.
- O que acontece, minha querida, é que algumas pessoas questionam a sua presença.
A voz de sua mãe a agradou perfeitamente, mas ela não havia percebido o real significado de tais palavras.
- Como assim questionando a minha presença?
- Todos acham que você foi um erro cometido pelos seus pais, e não admitem de forma alguma que você seja aceita pelas outras pessoas.
Isso a atingiu como nada a teria atingido. A rejeição é algo com a qual ela nunca soube lidar muito bem.
A rejeição de seu pai fora superada, em parte, com ajuda de tais pessoas que, agora, se negavam a aceitar um erro (que nem sequer fora um erro, realmente) com o qual ela não teria nada a ver.
Ela não soube o que dizer ou pensar, e, ainda hoje, o que sobra dela ainda tenta entender alguma coisa.
Talvez um dia isso tudo seja superado. Ou não. Ela sabe amar e perdoar desde sempre. Mas guarda mágoas e as esconde como ninguém.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Escolhas.

Nem sempre é fácil fazer escolhas. Algumas podem decidir um dos ramos do nosso futuro. Pode colocar em nosso caminho várias coisas que podem nos fazer muito bem ou muito mal.
Mas as piores decisões são aquelas que envolvem outras pessoas. Sejam elas inclusas por atos financeiros, sentimentais ou fraternais.
Muitas vezes nos parece óbvio o caminho a ser tomado. E algumas vezes nós nos arrependemos dessas decisões, geralmente, impensadas.
O caso é que eu tenho algumas decisões a serem tomadas. E eu me encontro extremamente dividida entre meus caminhos.
Não sei se eu tenho tempo de sentar na frente da bifurcação e pensar com clareza sobre tudo, pesar todas as consequências e listar os lados positivos de cada um.
A única coisa que eu sei neste momento é que.. Tomar decisões é a pior coisa que o ser humano tem a fazer. E que eu espero não ter que passar por isso tão constantemente como tenho tido. E só.